2006 foi meio turbulento para o blog e também em termos pessoais. Isto atrapalhou bastante a disponibilidade de tempo para escrever por aqui.
Andei pensando no real motivo de se ter um blog. Afinal de contas, por trás de todo o burburinho de blogs e blogosfera e outros terminhos de moda afins do meio, o que isso acrescenta à minha vida? E à dos outros?
Eu não sou do tipo de pessoa que acredita que tudo na vida deve ter sempre um propósito útil, prático, nobre ou coisa assim. Acho que você pode fazer coisas simplesmente para se divertir. Então mesmo que um blog sirva somente para fuxicos e escrever quem você viu se beijando ou “fikandu” no recreio da escola, tudo bem, você está fazendo algo que te dá prazer. Mas no meu caso, acho que esse negócio de escrever uma “agenda”, isso não me faz mais a cabeça. Com certeza eu acabei fazendo isso aqui, basta dar uma olhada nas mensagens anteriores desse blog aqui e você vai encontrar uns posts bem nessa linha. Mas… não acho que essa seja a finalidade principal. Principalmente quando você visita um blog que SÓ fale dessas coisas.
Falando de blogs, acredito que todas as coisas novas tem ciclos. Primeiro, alguém as descobre. Depois, a coisa se dissemina entre os “iniciados”. Aí vira uma onda, todos querem saber e fazer. No final a coisa morre e só sobrevivem os aspectos que são realmente interessantes. Traduzindo em outras palavras. Cada nova coisa, ou novo meio tem que achar sua forma de existir, encontrar seus aspectos verdadeiramente úteis, criar sua própria linguagem.
Acho que ainda não encontramos a forma definitiva. Talvez até o formato de blog não seja o melhor… Algum tempo atrás, assim como só conhecíamos os formatos de websites, não imaginávamos nenhuma outra forma de fazer isso sem aquela estrutura rígida. Hoje falamos em Web 2.0, em Wikipedia e Blogs. Quem sabe outro formato melhor não surgirá?
Nós vemos sim muitas experiências. Há uma incoerência básica nos blogs e no seu “direcionamento” vamos chamar assim. Uma das grandes diferenças na formatação dos blogs, que em última análise os tornou o que são, é o formato de “agenda” vamos dizer assim. Para ser mais preciso, vamos chamar as entradas em forma de agenda de “posts em ordem cronológica”. Este é um lado da coisa.
Mas do outro, um blog para ser interessante deve ter um foco. Só ler sobre a vida das pessoas, sobre seu cotidiano é muito Big Brother, muito cultura do vazio pro meu gosto.
E voltando ao caso dos dois lados. Para o foco que é necessário a um blog, as entradas cronológicas não ajudam em nada! Não dá para querer escrever um livro em um formato de blog, nem tratar um blog como se fosse um espaço apenas para escrever capítulos, nesse caso eu deveria utilizar então um formato tradicional de site, com uma hierarquia de assuntos. E mais, as entradas cronológicas se tornam piores por causa dos mecanismos de busca… Olhar a home page do seu blog e achar que todos vão acessar o dito cujo por lá e ler os posts em ordem decrescente é meio ingênuo. As ferramentas de busca indexam cada post do seu site e você vai ver que os “internautas” entram no blog muitas vezes por um post específico, talvez de dois anos atrás, sem ter passado pelas suas idéias mais recentes nos post mais atuais.
Acho que o caminho para definir o que eu deveria escrever num blog ou sobre qual foco escolher, seria pensar da maneira inversa. O que alguém gostaria de encontrar em um blog, o que eu gostaria de encontrar em um blog? Não dá para pensar em blogs sem pensar em COMUNIDADE. Ter um blog significa estar inserido em um grupo que interage. Eu não somente posto coisas em meu blog, mas também leio e posto nos dos outros, além de responder comentários no meu.
Logo em seguida eu teria que pensar no que eu poderia OFERECER de interessante para as pessoas dentro do que eu gosto de escrever, ou do que eu sei escrever, caso contrário vou estar super animado falando e escrevendo sobre coisas que são legais só prá mim, e eu já cai nesse erro antes
E por último eu finalmente pensaria no tipo de pessoas com as quais eu gostaria de interagir aqui, sobre as visitas que vou receber no meu blog. Se você escreve sobre fuxicos, vai receber as visitas de pessoas que gostam de fuxicos… É isso que você quer fazer?
Em resumo:
1) Sobre o que teria satisfação em escrever, ler, comentar e responder?
2) O que de interessante eu posso oferecer ao escrever e comentar?
3) Com quem eu gostaria de conversar sobre essas coisas?
Como esse post aqui já está prá lá de longo, isso vai ser o assunto do próximo… 